Foto Perfil2Por Davi Andrade

Cada vez mais estamos nos comunicando por meios eletrônicos e, estima-se, que cerca da metade da população do País faz parte de alguma rede social, sendo assim, não é de causar espanto que o número de crimes virtuais venha aumentando a cada ano. Em pesquisa sobre crimes eletrônicos em 2014, realizada pela FecomercioSP, foi constatado que 18% de 1.000 pessoas entrevistadas já foram vítimas de algum crime virtual.

Não fique triste se você já caiu no conto do vigário eletrônico ou clicou em um link que não fez bem à saúde do seu computador, pois você não foi único, pode acreditar. É muito difícil obter uma estatística confiável sobre o assunto porque a maioria das pessoas que já caíram em algum golpe virtual prefere não comentar a respeito, por se sentirem envergonhadas de terem caído em arapucas, na maioria das vezes, simples de serem detectadas. Em grande parte são golpes que não resistem a um olhar atento do usuário.

Veja a seguir alguns exemplos de e-mails recebidos com pegadinhas virtuais de mau gosto:

Avisos falsos da Receita Federal

É sempre bom lembrar que a Receita Federal não envia comunicados aos contribuintes por e-mail. Ou ela encaminha notificação pelos Correios, ou disponibiliza o documento na caixa de correio eletrônico no seu portal, para os usuários que possuem certificação digital.

No exemplo abaixo, a figura esconde um link para um arquivo que irá infectar a máquina do usuário

E-mail RFB

Ministério Público Federal

Aqui vale a mesma regra do exemplo acima, com a diferença que o Ministério Público não dispõe de caixa de correio eletrônico como no caso da RFB, para esse tipo de notificação. Esse tipo de notificação sempre chegará até você através dos Correios ou por meio de um oficial de justiça.

E-mail Justiça Federal

Cobranças e avisos comerciais falsos

Em sua maioria são e-mails discretos que trazem links ou anexos que têm funções diferentes do que anunciam, portanto, se você não conhece o remetente ou não lembra de ter adquirido nada da loja anunciada no e-mail, não clique nos links ou baixe os arquivos recebidos.

 E-mail Falso 3


E-mail Falso 2


E-mail Falso 1


 Avisos de atualização cadastral

São e-mails enviados, supostamente, por bancos ou administradoras de cartões de crédito informando que o usuário perderá o acesso à sua conta ou terá seu limite bloqueado caso não atualize seu cadastro.

A maioria das instituições não aceitam que suas atualizações sejam efetuadas apenas eletronicamente, portanto, desconfie sempre desse tipo de mensagem e, na dúvida, ligue para o seu gerente ou a central de relacionamento do seu cartão que você já dispõe na documentação de contratação ou no site da instituição, jamais ligue para os telefones ou envie e-mails (principalmente clicando em links) para os números e endereços que aparecem no e-mail que acabou de receber.

E-mail Falso 4


Sucesso nas redes sociais

Tem muita gente que não resiste em saber o que estão comentando sobre suas postagens ou quantas pessoas estão curtindo seu perfil mas, cuidado, nem sempre a mensagem veio de onde você imagina.

Note que na figura acima o remetente é um usuário do Yahoo. Isso não lhe parece estranho? Sempre que houver dúvidas, acesse a rede social sem clicar nos links fornecidos na mensagem e verifique suas notificações. Se não houver nada a respeito, bloqueie o remetente e exclua a mensagem.

 E-mail Falso 5


Veja a seguir a lista dos tipos de crimes virtuais mais conhecidos:

Mobile malware – os malwares são vírus criados para danificar ou e ou capturar dados pessoais. Tem crescido o número de malwares destinados a atacarem aparelhos móveis. As principais portas de entrada para estes vírus são: anúncios falsos clicáveis e download de aplicativos.

Os aplicativos que fazem maior estrago são aqueles que vêm mascarados como recursos que despertam o interesse e a curiosidade do público, como jogos divertidos ou utilidades.

Promoções ou concursos via Facebook – as pessoas adoram promoções e concursos, por isso, os criminosos online criam frequentemente anúncios falsos, oferecendo produtos e preços convidativos para que o clique da vítima vire uma oportunidade de roubo de conteúdos.

Softwares falsos de antivírus – a disseminação de falsos antivírus também é uma outra tentativa de invasão de privacidade e roubo de dados executados pelos criminosos. Os usuários recebem ‘alertas’ falsos de suposta “infecção” e acabam fazendo o download do falso antivírus ou até pagando por um software falso.

A empresa de informática McAfee afirmou que, atualmente, este tipo de ataque é o mais comum, fazendo, em média, 1 milhão de vítimas por ano.

Protetores de tela com temas festivos – os papéis de parede com temas festivos ou opções para personalizar o celular também escondem armadilhas de capturas de informações.

Vírus específicos para os Macs –  os usuários de Mac se vangloriavam por não precisarem se preocupar com vírus mas, com a popularização dessas máquinas, houve um crescimento na criação de softwares para atacar especificamente estes equipamentos. A McAfee estima que os vírus para Macs estão crescendo cerca de 10% a cada mês que passa.

Phishing festivo – o phishing tem como objetivo enganar os usuários através de falsos formulários:

  • Mensagens falsas de alertas e que fazem uso da logomarca de uma empresa conhecida para dar mais credibilidade ao golpe: estas mensagens sempre solicitam ao usuário o preenchimento de um formulário para que ele receba determinada encomenda ou compra;
  • Smishing”ouphishing por SMS: as pessoas recebem mensagens pelo celular dizendo que suas contas bancárias sofreram um ataque. Na sequência, são orientadas a ligarem para um telefone onde terão informações mais detalhadas sobre o ocorrido.

Golpe dos cupons online – um dos golpes mais populares são aqueles que fazem com que a vítima acredita que pode ganhar/ganhou um objeto de valor ao visitar um site.

Golpe do cliente oculto – quem nunca viu um anúncio ofertando o “emprego dos sonhos”, dizendo que a pessoa pode ganhar muito dinheiro sem precisar gastar as solas do sapato? E o golpe do cliente oculto usa estes tipos de argumento para fisgar suas vítimas. O anúncio informa de que trata-se de um emprego para adquirir produtos e, posteriormente, realizar avaliações. Porém, as vítimas que caem neste discurso, acabam ligando para o número telefônico informado e fornecem seus dados pessoais e financeiros para os criminosos.

Presentes quentes – todos os anos, determinados produtos tornam-se os presentes mais pedidos do momento. Vários criminosos fazem propagandas falsas em massa destes itens, criando sites e-commerce com layouts modernos e bem feitos para que as vítimas acreditem nas ofertas e efetuem a compra, e assim, fornecem o número do cartão e outros dados pessoais.

Mensagens postadas no Facebook – criminosos também saem em busca de vítimas nas redes sociais. Os alvos favoritos são as pessoas que informam os amigos de que irão viajar. Dependendo da postagem, os criminosos conseguem saber o local da viagem, datas e outras informações que encorajam o planejamento de um roubo ou assalto.

A McAfee alerta: pessoas que postam os lugares que costumam frequentar, fazem check-in no Facebook cada vez que vão ao restaurante ou expõem informações sobre futuras viagens, tornam-se vítimas em potencial, uma vez que, fornecem informações suficientes para os criminosos estudarem os seus hábitos e dias em que as casas encontram-se sem ninguém.

A Polícia Federal aconselha que toda denuncia de golpes digitais, manifestações racistas ou discriminatórias sejam registradas no próprio site da Polícia: www.dpf.gov.br.

E denúncias de crimes virtuais, devem ser reportadas para o endereço de e-mail: crime.internet@dpf.gov.br. O objetivo é centralizar e canalizar as denúncias para um setor apropriado. Depois de uma perícia, os laudos serão encaminhados às delegacias competentes.

Atenção: quando for enviar algum e-mail de denúncia para o endereço acima, encaminhe a mensagem fraudulenta original como anexo.Dessa forma, as autoridades poderão analisar os cabeçalhos (headers) originais  e encontrar informações valiosas para encontrar o ofensor.

Fontes: crimespelainternet.com.br, G1 e Exame